Cidade moderna - Sociologia
O que é uma cidade moderna?
Os resultados da pesquisa sociológica não são de interesse apenas de sociólogos/as. Cobrindo todas as áreas do convívio humano — desde as relações na família até a organização das grandes empresas, o papel da política na sociedade ou o comportamento religioso —, a sociologia pode vir a interessar, em diferentes graus de intensidade, a diversas outras áreas do saber. Entretanto, os maiores interessados na produção e sistematização do conhecimento sociológico atualmente são o Estado, normalmente o principal financiador da pesquisa desta disciplina científica, e a sociedade civil organizada (movimentos sociais por exemplo).
Certamente a industria traz a modernidade, uma vez que traz desigualdades sociais tão grandes como a descrita em sua obra Manchester. Engels procura ser realista, porém ele mesmo não consegue descrever com palavras à realidade, de tão grande miséria que encontra, pessoas vivendo como em um chiqueiro, sujas e com fome. Tudo isto ocultado pelas fachadas, embaçando os olhos da burguesia. Pode-se observar que a situação em que vivem os trabalhadores pobres de Manchester assim como os de outras cidades industriais, levam a uma impossibilidade de mobilidade social, uma vez que não tem condição de entrar o mercado. Por vários fatores como escolaridade, aparência (os bairros mais pobres não tinham água limpa e canalização, logo sem condições de haver higiene) e outros. O trabalhador colocado ao acaso passa a viver de esmola, do roubo ou simplesmente morre de fome. Ai esta um grande problema das grandes cidades de hoje, desemprego que leva a violência, as favelas como os bairros pobres de Manchester, e os trabalhadores (não todos) sem opções sendo acolhidos pelo tráfico de drogas.
A ofuscação dos olhos da burguesia passa a ser diferente quando a miséria e a violência a atingem, um exemplo disto é colocado no texto de Eric Hobsbawn em: A era das revoluções, Os trabalhadores pobres (décimo primeiro capitulo), em que as condições de vidas dos trabalhadores geraram uma epidemia de cólera, tifo e febre recurrente. Levando a burguesia a tomar atitudes como a limpeza dos bairros e afastando os trabalhadores pobres para periferia. Um dos pontos colocados no texto é as opções dos trabalhadores pobres: A fuga, seja pelo alcoolismo, prostituição, suicídio, religião, criminalidade, demência. A ascensão, o que já disse não ser possível aos trabalhadores devido a suas condições de vida. E a rebelião.
Os descasos com os trabalhadores, muitos morrendo de fome, os salários que abaixavam cada vez mais, a instabilidade do emprego, o trabalho a que eram expostos, tudo isso fez com que eles se organizassem a fim de buscar melhores condições de vida, formando assim o movimento trabalhista, atrás de respeito, reconhecimento e igualdade.
Para Marx e Engels os burgueses são aqueles que dirigem o Estado, “o governo moderno não é senão um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa”. Hoje temos como exemplo o Império americano com as suas industrias petrolíferas que “controlam” várias regiões do mundo sobre a sua bandeira, as grandes disputas comerciais e os boicotes econômicos.
Certamente uma conversa entre Aristóteles com Marx e Engels sairia uma boa discussão, enquanto que para Aristóteles Democracia é uma forma pervertida de governo, pois só visa a atenção para a classe pobre deixando de lado a dos ricos, e dizendo que a melhor forma de governo é uma mescla entre oligarquia e democracia, que deveria haver propriedade para os ricos e liberdade para os pobres. Marx e Engels deveriam achar esta colocação um absurdo se observada a exploração dos trabalhadores de sua época e a incompleta falta de liberdade. A única solução para eles era a tomada do poder uma vez que toda a história tem sido a história de lutas de classes.
Pontos de vistas diferentes formaram ideologias diferentes, assim como no texto de Eric Hobsbawn: A era das revoluções, A ideologia secular (décimo terceiro capitulo), em que a ideologia religiosa sai de foco e entra o racionalismo, como por exemplo, no Iluminismo para entender as coisas através da história, buscando sempre uma razão. O Liberalismo clássico que acreditava que o avanço da sociedade era no capitalismo, “o progresso da produção de mãos dadas com o progresso das artes, da ciência”. Estes certamente descartaram as explorações dos trabalhadores, e a alienação que esta produção traria. Por fim surgiu o Socialismo, “a razão a ciência e o progresso eram suas bases firmes”. Para o socialismo era necessário derrubar os capitalistas para que a exploração sobre os trabalhadores fosse eliminada, entregando assim a liberdade a eles. Karl Marx foi “herdeiro” da filosofia alemã, dizia que a ideologia era uma falsa consciência no inicio de seus estudos, depois uma ideologia para ele era uma visão de mundo diferente. Classes diferentes, visões de mundo diferentes. Hoje a televisão tornou a massa muito mais alienada, a pessoa chega do trabalho depois de um dia estressante, e se “hipnotiza” com diversas propagandas, telenovelas e outros, que mudam sua maneira de ver as coisas e de interpreta-las.
Procurando ver de “maneira positiva” as diferenças sociais que existem na cidade Walter Benjamin em seu texto: Paris, capital do século XIX, o autor coloca o avanço da tecnologia na utilização do dia-a-dia, as construções de galerias, ferrovias, o surgimento da fotografia e a industria da diversão (que causava uma grande alienação), os Saint-Simonianos não conseguiram prever porem as lutas de classes, só enxergavam a evolução da economia mundial. Todos estes avanços tecnológicos não puderam ser usufruídos por todos, os pobres não iam ate a galeria, os trens de viagem eram e ainda são separados por classes. Toda linha produção fez com que objetos fossem produzidos igualmente, fazendo com que as pessoas se vestissem iguais, tivessem carros iguais, e os produtos diferentes eram e ainda são os mais caros, não só materialmente, mas intelectualmente, os pensamentos não se diferem uns dos outros, as pessoas mais alienadas passam a pensar igual também.
Na cidade encontram-se cada vez mais pessoas, mas ficamos cada vez mais sozinhos, muito se refugiam na internet, conversando com pessoas que nunca viram do outro lado do mundo, e nem dão bom dia ao vizinho. Não só conversando, mas também se trancando em casa, saindo cada vez menos, fugindo da violência causada pelo desemprego e o descaso da burguesia para com trabalhadores pobres.
Certamente as condições daquele tempo não se diferem das condições de hoje, ao menos pelo fato de que leis trabalhistas foram criadas, o que não garante que continue existindo escravidão em fábricas de diversas cidades, em diversas fazendas. Vários trabalhadores não sabem dos seus direitos, muitas vezes trabalhando ilegalmente e vendo que tem milhões de outros esperando uma vaga, muitos aceitam um emprego sobre quaisquer condições, pois passa necessidades, vêem sua família passando fome e qualquer coisa que surgir já é “uma benção”. A cidade moderna com toda a evolução tecnológica foi e ainda é um paradoxo, com toda a sua desigualdade.
Mas, indiscutivelmente, uma das maiores maldades da sociedade burguesa é a idéia da possibilidade de ascensão social. Não que seja impossível, mas é pouco provável. A todo o momento somos obrigados a assistir - e isso é cruelmente alimentado pela mídia - que fulano estava no local certo na hora certa, que beltrano ganhou na loteria porque - graças a Deus - sonhou com os números sorteados, que cicrano ganhou um ótimo contrato após ser atropelado por um agente de alguma agência de modelos, que o menino que fazia umas embaixadinhas nos semáforos em troca de umas moedinhas para sobreviver foi “achado” por um olheiro e transformou-se em fenômeno do futebol, e o sujeito trabalhador esforçado não consegue sair da sua mesma vidinha de classe popular oprimida. Desenvolve-se na cabeça desse sujeito o sentimento de ser azarado, quando na verdade ele é apenas mais um na multidão de “pés-frios”.
Nesse momento em que o indivíduo se enxerga como um derrotado ele está naturalizando, introjetando uma determinada visão, ele está criando um Hábito. A idéia de que ele é um frustrado, fracassado por natureza, naturalizando algo que não é real. Ele é apenas uma vítima do regime burguês, e não um esquecido do acaso ou de Deus. Mais uma vez a burguesia cria problemas psicológicos nos cidadãos, instituindo medos interiores, criando verdadeiros campos de batalha dentro dos indivíduos e indiferença entre os desconhecidos.
As cidades modernas estabeleceram relações pesadas de distinção: especialização, letramento e até mesmo motivos de vergonha. O que é bom para as classes populares é quase sempre ridicularizado pelas elites. Chorar aos berros, faltar com modos de refinamento nas refeições, cometer erros na pronúncia é um escândalo para as elites, conquanto não gostar de ritmos como pagode e samba e detestar futebol pode vir a ser uma vergonha para alguém das classes populares.
Em suma: nas cidades modernas, estabeleceu-se a máxima de que ser diferente do próximo é o “algo a mais” do momento.
"Moramos", depois de alguns anos, em outros grupos sociais, e mesmo que pouco, somos influenciados. Se não der vontade de fazer errado, vem alguém e comenta: 'diga-me com quem andas e eu direi quem és'... Entretanto não é assim, não funciona assim!
Então eu entendo que vivemos como uma peça desse enorme quebra-cabeça social, somos um somado com o próximo, somos únicos e nos identificamos em alguma figura a ser montada infinitamente.
A marginalidade cultural e a contracultura estão vivas, fervendo! Não com o intuito de afrontar, mas sim para viver! Não tentem e nem desespere para entender, viva onde é melhor!
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